Música "Machado Polonês - Polska Siekira"
A letra apresentada a seguir, de autoria de um viajante polonês, retrata as dificuldades e misérias vivenciadas pelo imigrante polonês do Vale do Rio das Antas. Os "peraus", as matas fechadas e o isolamento de tudo e de todos. Trazida e cantada, primeiramente, pela famólia Wastowski, em especial pelo senhor Francisco Ignácio Wastowski. Atualmente faz parte do acervo da cultural da comunidade.
Música cantada por Francisco: Polska Siekira - Francisco Ignácio Wastowski. Tradução: professor Eduardo Zwan.
| Polska Siekira | Machado Polonês |
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Ojczyste góry mgla sie sialy Wedrowiec tam spogladal w dal Z westkniemiem oka z powiekem Izawem A serce mu przepelnia zal. (bis) Na zawsze rzuca ojczyste strony I ten nieszczesny darzy brzeg Kiedy usmiecha sie umajony Goscinny Brazylijski brzeg. (bis) Tu wglab dziewiczy w puszcze sie wdziera Gdzie tylko wilk swiadomy zyl Ten bór wyciela polska siekira Te nimy zoral polski plóg. (bis) Tu nas nie leka glód ani czary Bez troski zycie morzem wiesc W góre Brazylii wzniesmy sztandary O wolna ziemia Tobie czesc. (bis) Palaców niema lecz sa dostatki Ta szara runa Polska brac I w Polskiej szkole ucza sie dziadki Ojczyzne kochac, Boga sie bac. (bis) |
As montanhas dos antepassados se semeavam de neblinas O viajante lá olhava ao longe Ao abrir os olhos com as pálpebras cheias de lágrimas E o coração se enche de tristeza. Para sempre deixa a terra natal E esta infeliz beirada Quando sorri de felicidade A beirada hospitaleira brasileira. Aqui pro fundo da mata virgem vamos entrando Onde só o lobo selvagem viveu Esse mato cortou o machado polonês Essas terras lavrou o arado polonês. Aqui não nos assusta a fome nem o feitiço Sem preocupação a vida podemos levar Ao alto levantamos os estandartes brasileiros Ò terra livre, a você rendemos homenagem. Não tem palácios, mas tem fartura Essa nossa irmandade polonesa E na escola polonesa aprender as crianças Amar a Pátria e respeitar a Deus. |
Segue abaixo uma versão de Polska Siekira encontrada em uma publicação de 1898 no Paraná. Não é possível identificar a origem, mas pelo enredo da canção, foi "escrita" por imigrantes poloneses que vieram ao Brasil. Conta um pouco da luta, do sofrimento e dos sonhos de quem largou tudo na Polônia e veio construir uma nova vida no Brasil.
| PIEŚN WYCHODŹCÓW - POLSKA SIEKIERA | CANÇÃO DOS EMIGRANTES - MACHADO POLONÊS |
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Ojczyste góry mgłą się sinawo;
Wędrowiec tam spogląda w dal:
Z westchnieniem otarł powiekę łzawą
A serce mu przepełnia żal.
Na zawsze rzuca ojczyste strony
I tam nieszczęsny dąży zbieg,
Kędy uśmiecha się umajony
Gościnny brazylijski brzeg.
Kto w głąb dziewiczej puszczy się wdziera,
Gdzie tylko zwierz świadomy dróg?
Ten bór wycięła polska siekiera,
Te niwy zorał polski pług!
Szczęści się praca z pomocą Bożą,
Bo niema wroga, co ład psuł
Zagrody, łany, w okół się mnożą
Zagrody, łany polskich siół!
Pałaców nie ma, lecz ma dostatki Ta szara, równa, polska brać I w polskiej szkole uczą się dziatki Ojczyznę kochać, Boga się bać Tu nas nie nęka głód ani cary Bez trosk tu życie możem wieść W górę Brazylji wznieśmy sztandary! O wolna ziemio, tobie cześć! Rodzinna piosnka dźwięczy po łanie, Rodzinna mowa w chatce brzmi, A na Ojczyzny słodkie nazwanie Płomieniem dumy lice lśni: Te dźwięki, ten lic blask rumiany, To Nowej Polski słońca wschód: Tu pod pogodnem niebem Parany, Tu się narodem zbudzi lud! Choć sercu drogi ten kraj nasz nowy, Myśl się do starych zwraca gniazd, I zapatrzeni w krzyż południowy My śnimy blask półnočnych gwiazd... By znieść niewolę, zerwać kajdany, Miłości, światła kujmy broń! Kiedyś przez lądy, przez oceany, Podamy ziomkom bratnią dłoń! |
As montanhas nativas estão cobertas por uma névoa azul; Lá o viajante olha para a distância: Com um suspiro ele enxugou sua pálpebra chorosa, E seu coração está cheio de tristeza. Ele deixa sua terra natal para sempre, E lá o infeliz fugitivo luta, Onde sorri a florida E hospitaleira costa brasileira. Quem penetra nas profundezas do deserto virgem, Onde só um animal conhece as estradas? Esta floresta foi cortada por um machado polonês, Estes campos foram arados por um arado polonês! O trabalho com a ajuda de Deus será bem-sucedido, Pois não há inimigo que perturbe a ordem: Fazendas e campos estão se multiplicando por toda parte, Fazendas e campos de aldeias polonesas! Não há palácios, mas há abundância Esta irmandade polonesa, cinzenta e uniforme E na escola polonesa as crianças aprendem A amar a pátria e a temer a Deus. Aqui não somos atormentados pela fome nem pelos czares. Podemos levar uma vida sem preocupações; Vamos erguer nossas bandeiras bem alto no Brasil! Ó terra livre, glória a ti! Uma canção de família ressoa no campo, O discurso da família ressoa na cabana, E o doce nome da Pátria Brilha no rosto com uma chama de orgulho: Esses sons, esse brilho rosado do rosto, Este é o sol nascente da Nova Polônia: Aqui, sob o céu sereno do Paraná, Aqui o povo despertará como uma nação! Embora nosso novo país seja querido aos nossos corações, Nossos pensamentos se voltam para os velhos ninhos, E olhando para o Cruzeiro do Sul Sonhamos com o brilho das estrelas do norte... Para abolir a escravidão, para quebrar os grilhões, Vamos forjar armas de Amor e luz! Algum dia, através de terras e oceanos, Daremos aos nossos compatriotas uma mão fraterna! |

A devoção a Nossa Senhora do Monte Claro veio com o imigrante polonês e é mantida por seus descendentes. Na comunidade da Linha Bom Jardim está
localizado o santuário em honra a Nossa Senhora de Częstochowa.